Notícias e Novidades

31 / December / 2025

Mensagem de final de ano

Caros colegas,   Ao chegarmos ao final de mais um ano, importa reconhecer os passos estruturantes que foram dados no fortalecimento da Enfermagem Veterinária e no percurso da AEVPORT.   O ano de 2025 ficou marcado por um crescimento associativo sem precedentes. A AEVPORT conta atualmente com 168 associados, dos quais 140 efetivos e 28 promessa, um aumento significativo face ao ano anterior, em que o total era de 98 associados. Ao longo deste ano, apenas 22 associados não procederam à renovação da sua inscrição, refletindo a estabilidade e o envolvimento da comunidade associativa.   A afirmação institucional da AEVPORT em 2025 refletiu-se, entre outros aspetos, no lançamento oficial da Revista Portuguesa de Enfermagem Veterinária (RPEV), a primeira publicação em Portugal dedicada exclusivamente à Enfermagem Veterinária, realizado no XXI Congresso Internacional Veterinário Montenegro. Este projeto constitui um marco relevante na valorização científica e profissional da Enfermagem Veterinária no contexto nacional e encontra-se aberto à participação e contributo da comunidade profissional.   A AEVPORT marcou ainda presença ativa em eventos nacionais e internacionais, reforçando o seu papel enquanto interlocutor institucional da profissão. Entre estes momentos, destaca-se o convite da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Bragança para participação nas Comemorações dos 20 anos da Licenciatura em Enfermagem Veterinária, incluindo a presença na sessão de abertura e na mesa-redonda dedicada à Regulamentação das Profissões Veterinárias, espaços de reflexão fundamentais para a valorização da profissão, o reconhecimento do papel dos Enfermeiros Veterinários e o reforço da colaboração interprofissional em prol da saúde animal e da saúde pública.   Paralelamente, encontra-se a decorrer a petição para a oficialização do Dia Nacional do Enfermeiro Veterinário, a assinalar a 9 de outubro, uma iniciativa que pretende promover o reconhecimento público, institucional e social da Enfermagem Veterinária, valorizando o contributo científico, técnico e humano destes profissionais para o bem-estar animal e a saúde pública. A petição já ultrapassou as 1400 subscrições. O objetivo de alcançar as 7500 subscrições é essencial para reforçar a legitimidade cívica da proposta e potenciar uma apreciação mais consistente pelas entidades competentes. Neste sentido, apelamos à partilha ativa da petição, enquanto gesto de participação, união e compromisso com o reconhecimento da profissão.   Em 2026, a AEVPORT assinalará 20 anos de existência, marco que será celebrado com a realização do 1.º Encontro Nacional de Enfermagem Veterinária, nos dias 21 e 22 de novembro, na Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra. Sob o tema “O poder da Enfermagem Veterinária em ação: Competências, Limites e Futuro”, este encontro constituirá um espaço de encontro, reflexão e afirmação da Enfermagem Veterinária a nível nacional, aberto a toda a comunidade profissional.   Entramos no novo ano com bases mais sólidas, objetivos claros e um sentido reforçado de responsabilidade coletiva.   Um excelente Ano Novo para todos! Um forte abraço, Presidente da AEVPORT Ana Lúcia Garcia │ Ana Marques │ Ana Sêco │David Dantas │ Liliana Colaço │ Liliana Machado │ Márcia Oliveira │ Sandra Amaral │ Sara Cuco │ Sérgio Almeida  

10 / November / 2025

Nota de Posição da AEVPORT sobre a Proposta de Abertura de Novo Mestrado Integrado em Medicina Veterinária

A Associação de Enfermeiros Veterinários Portugueses (AEVPORT) acompanha com particular atenção a proposta de criação de um novo Mestrado Integrado em Medicina Veterinária na Universidade dos Açores e o parecer recentemente emitido pela Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) a pedido da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES). A posição pública da OMV, que identifica falhas significativas na proposta, nomeadamente ausência de infraestruturas essenciais, insuficiência de corpo docente e indefinições estruturais, confirma preocupações que a AEVPORT considera centrais para a salvaguarda da qualidade da formação no Ensino Superior na área de Ciências Veterinárias, bem como da prestação de cuidados de saúde animal.   1. Enquadramento do Ensino Superior em Ciências Veterinárias  Atualmente, Portugal conta com oito Mestrados Integrados em Medicina Veterinária, com uma das maiores disponibilidades de vagas por habitante na Europa. No âmbito da Licenciatura em Enfermagem Veterinária, existem dez instituições de Ensino Superior que ministram o curso, o que demonstra uma expansão significativa da oferta formativa na última década, nem sempre acompanhada da necessária harmonização de qualidade pedagógica, condições de ensino clínico e definição de competências profissionais. Este cenário evidencia a existência de uma oferta formativa diversificada no país, o que torna ainda mais relevante assegurar que qualquer nova proposta cumpra plenamente os requisitos de qualidade, estrutura e sustentabilidade exigidos, reforçando a necessidade de avaliar cuidadosamente o impacto da abertura de novas ofertas formativas no equilíbrio do setor, na qualidade pedagógica e na empregabilidade futura.   2. Qualidade, retenção e valorização das equipas veterinárias Tal como a OMV sublinha, o problema não reside na inexistência de profissionais formados, mas na capacidade de reter e valorizar talento, garantindo condições laborais dignas, carreiras estruturadas e estímulos adequados para fixar profissionais, sobretudo nas regiões com maior carência. Esta dificuldade tem sido evidente no número crescente de Médicos e Enfermeiros Veterinários que optam por emigrar ou abandonar a profissão, não por falta de formação, mas pela ausência de condições que permitam a sua fixação no país. A AEVPORT partilha integralmente esta visão: a expansão indiscriminada da oferta formativa, sem condições adequadas, não só não resolve os problemas existentes, como pode fragilizar ainda mais as equipas veterinárias.   3. Abertura de novos cursos exige rigor e responsabilidade A criação de novos ciclos de estudos na área das Ciências Veterinárias exige o cumprimento rigoroso de requisitos de qualidade, recursos humanos suficientes e condições estruturais que assegurem uma formação sólida e competente. No caso em apreciação, esses requisitos não se encontram assegurados, conforme expressado pela OMV. Perante este cenário, a AEVPORT entende ser essencial que decisões desta magnitude obedeçam a critérios rigorosos e respondam às necessidades reais do setor, garantindo qualidade formativa, estabilidade das equipas veterinárias e práticas profissionais que protejam o bem-estar animal e a confiança pública.   Nuno R. Lima Presidente da Direção    Ana Lúcia Garcia │ Ana Marques │ Ana Seco │ David Dantas │ Liliana Colaço │ Liliana Machado │ Márcia Oliveira │ Sandra Amaral │ Sara Cuco │ Sérgio Almeida

31 / December / 2024

Mensagem de Final de Ano da AEVPORT

Caros colegas,   Chegamos ao final de mais um ano, um período marcado por desafios e conquistas. A Enfermagem Veterinária em Portugal tem dado passos significativos em direção a um maior reconhecimento e valorização, e isso só tem sido possível graças ao apoio de cada um de vocês.   Estamos no início da nossa jornada, mas temos trabalhado arduamente para consolidar a nossa missão e construir um futuro mais forte para a Enfermagem Veterinária. Acreditamos que o futuro da nossa profissão passa, inevitavelmente pelos estudantes, os futuros profissionais que irão dar continuidade a este trabalho. Por isso, renovamos o nosso compromisso de lutar pelo futuro da profissão e por todos aqueles que representam esse futuro.   Ao entrarmos em 2025, reforçamos a importância de trabalharmos em sinergia com outros profissionais de saúde animal e humana. Apenas com uma colaboração integrada e multidisciplinar poderemos garantir um impacto positivo no bem-estar animal e na saúde pública, consolidando a relevância do Enfermeiro Veterinário na sociedade.   Este ano foi marcado pelo início do nosso plano de formação com o Webinar "Cálculos Matemáticos para o Enfermeiro Veterinário", que trouxe uma abordagem prática e essencial para o dia a dia dos nossos profissionais. Além disso, o Journal Club da AEVPORT proporcionou momentos enriquecedores de discussão sobre artigos científicos e guidelines, fortalecendo a partilha de conhecimento junto da nossa comunidade. Participámos também em eventos nacionais e internacionais, reforçando o nosso compromisso com o desenvolvimento e reconhecimento da Enfermagem Veterinária. Para fechar o ano, atingimos um recorde de 98 sócios, reflexo da força e união da nossa profissão.   Para 2025, além do nosso plano formativo, estamos a preparar-nos para dois importantes congressos europeus de Enfermagem Veterinária que irão decorrer em Portugal, os quais iremos convidar todos os sócios a fazerem parte. Estamos também a desenvolver formações nas áreas de bem-estar e mindfulness, com o objetivo de promover um equilíbrio saudável entre vida pessoal e profissional.   Desejamos a todos um excelente final de ano, repleto de momentos de alegria, descanso e reflexão. Que 2025 traga novas oportunidades e ainda mais conquistas para a nossa profissão. Estamos certos de que iremos alcançar os nossos propósitos com a dedicação que tanto caracteriza os Enfermeiros Veterinários. Um forte abraço, Nuno R. Lima Presidente da AEVPORT   Ana Lúcia Garcia │ Ana Sêco │ David Dantas │ Diana Meira │ Liliana Colaço │ Liliana Machado │ Márcia Oliveira │ Sandra Amaral │ Sara Cuco │ Sérgio Almeida

09 / December / 2024

Resistência Antimicrobiana: Como pode o Enfermeiro Veterinário intervir na sensibilização deste problema emergente?

Entende-se por antimicrobianos - incluindo antibióticos, antivirais, antifúngicos e antiparasitários – os medicamentos usados para prevenir e tratar infeções em humanos, animais e plantas. São considerados das maiores descobertas da História da Humanidade. Após a sua descoberta em 1928, a penicilina tornou-se o primeiro antibiótico a ser produzido em massa a partir do início da década de 1940. No decorrer da II Guerra, foram produzidos os primeiros lotes de penicilina e os antibióticos passaram a fazer parte das práticas médicas, salvando um número incontável de vidas humanas.   Assim que os primeiros antibióticos começaram a ser utilizados, a resistência antimicrobiana foi reportada. O primeiro caso de resistência à penicilina foi verificado logo em 1940, antes da sua produção e utilização em massa.   A resistência antimicrobiana ocorre quando os microrganismos (bactérias, vírus, fungos e parasitas) já não respondem aos agentes antimicrobianos, tornando estes tratamentos específicos ineficazes reduzindo, assim, as opções de tratamento clínico. Consequentemente, aumenta o risco de complicações e de disseminação das doenças, internamentos hospitalares (lecando a mais custos) e taxas de mortalidade.     Quais são os fatores de risco?   Os países em vias de desenvolvimento, onde ainda existe falta de acesso a água potável, saneamento e as práticas de higiene são pouco recorrentes, o acesso a diagnósticos de qualidade, tratamentos e vacinas é deficiente, assim como a prevenção e o controlo de infeções em unidades de saúde, lares ou explorações agrícolas/pecuárias são precários, padecem rapidamente das consequências associadas a este flagelo. Não obstante, os países desenvolvidos partilham alguns destes fatores de risco, sendo que a escassa sensibilização para uma utilização correta dos antibióticos ainda faz parte das atuais preocupações e isso impacta negativamente a população.     Em números, qual é o impacto a nível mundial?   Através de uma rápida pesquisa, conseguimos perceber o impacto que o problema tem, à escala mundial.   A Organização Mundial de Saúde revela que, em 2019, a resistência antimicrobiana foi responsável, diretamente por 1,27 milhões e contribuiu para outros 4,95 milhões de mortes, em todo o mundo. Estima-se que, em 2050, será responsável por 2 milhões de mortes por ano, sobretudo em pessoas acima dos 70 anos de idade, sendo, por isso, mais prevalente do que as mortes relacionadas com doenças oncológicas.   Fonte: https://wellcome.org/sites/default/files/wellcome-global-response-amr-report.pdf   O relatório do Sistema Global De Vigilância De Resistência E Uso De Antimicrobianos (GLASS), de 2022, destaca taxas de resistência alarmantes entre bactérias prevalentes. Refere que, em 76 países, a taxa média de resistência da Escherichia coli às cefalosporinas de terceira geração é de 42% e que a Staphylococcus aureus mostrou-se resistente à meticilina em 35% dos casos.   Segundo a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), a projeção é que resistência aos antibióticos vai aumentar em duas vezes até 2035, comparativamente com os números verificados em 2005.   Na prática, procedimentos e tratamentos médicos como cirurgias e quimioterapias também ficam comprometidos.   O problema é complexo e requer ações específicas por parte do setor da saúde humana, produção de alimentos e setores animal e ambiental, implicando uma abordagem coordenada entre todos estes setores – One Health.   A One Health é uma abordagem integrada que visa atingir resultados de saúde ideais e sustentáveis para pessoas, animais e ecossistemas. Afirma que a saúde dos humanos, animais domésticos e selvagens, plantas e o ambiente em geral estão intimamente ligados e são interdependentes. Pretende, assim, prevenir e controlar a resistência antimicrobiana através da colaboração de entidades de todos os setores relevantes na implementação e monitorização de programas, políticas, legislação e pesquisa nesta área.   Torna-se importante a sensibilização da população e os profissionais de saúde, em particular, para uma utilização correta dos agentes antimicrobianos. A responsabilidade é de todos, desde os cidadãos aos profissionais de saúde envolvidos na sua prescrição e distribuição, a nível humano e animal.     De que forma, podem os enfermeiros veterinários intervir?   Cabe aos enfermeiros veterinários, na sua prática clínica, adotar medidas como:   Informar os tutores sobre o perigo do uso indiscriminado deste tipo de medicamentos, explicando que pode levar a resistências, pondo em causa a sua eficácia;   Relembrar os tutores que são medicamentos de prescrição médica obrigatória, devendo ser utilizados somente mediante indicação do médico veterinário nas doses prescritas;   Incentivar ao descarte, em locais apropriados nas farmácias, sempre que haja sobras de medicamentos, de forma a que não exista a possibilidade de utilização em situações futuras para as quais não foram prescritos;   Alertar que nem todas as infeções são iguais em termos de utilização de antibióticos, ou seja, só o diagnóstico do médico é que permite a melhor escolha do antibiótico em função da situação em causa.     Desta forma, aos dias de hoje, o aumento da resistência aos antimicrobianos constitui uma preocupação crescente à escala mundial.   Os esforços na área da investigação não devem, assim, ser dirigidos apenas para a descoberta e desenvolvimento de novos agentes antimicrobianos e vacinas. A melhoria da tecnologia dos diagnósticos, tornando-os mais precisos e aumentando a sua sensibilidade, contribui de forma significativa para a prevenção precoce das infeções e proporciona tratamentos mais direcionados.    A investigação acerca dos mecanismos de desenvolvimento das resistências, por parte dos agentes patogénicos, também deve continuar. O esforço contínuo da sensibilização também é crucial e está nas nossas mãos dirigi-lo à população em geral.   Referências Bibliográficas: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/antimicrobial resistance Antimicrobial Resistance (WHO, 2023). Antimicrobial resistance: a silent pandemic | Nature Communications. Publicado em julho de 2024 The Relationship Between the Microbiome and Antimicrobial Resistance Nguyen T Q Nhu 1 , Vincent B Young 1 2 (2023)

13 / September / 2024

O regresso à rotina dos animais de companhia

O período de férias traz momentos de felicidade e descontração aos tutores, mas, por vezes, nem tanto aos seus animais. Se, por um lado, há maior disponibilidade para brincadeiras, passeios e interação social, por outro, o animal pode ter de enfrentar uma série de desafios, como ficar num local desconhecido e ter de lidar com pessoas às quais não está habituado. Este comportamento é ainda mais notório e pronunciado quando falamos dos felinos. Como tal, por vezes, esta alteração de rotinas, pode criar ansiedade no animal e até no tutor.   Como pode o enfermeiro veterinário intervir, junto dos tutores, nestes casos? O que deve saber e que tipo de recomendações pode fazer, para ajudar a compreender estas alterações de comportamento e minimizar as suas consequências?   A socialização é um fenómeno de adaptação e é, em parte, neurologicamente programado em cães e gatos. Na prática, define-se como a tendência dos indivíduos se associarem ou se reunirem em grupos. Desta forma, o desenvolvimento da angústia relacionada com a separação pode ser visto como uma consequência da própria socialização. Para conseguirmos ajudar na prevenção ou minimização antecipada do problema, em primeira fase, devemos saber identificar e comunicar os fatores de risco associados a estas alterações comportamentais. São vários, os animais que vivem com um único ser-humano e esses têm maior probabilidade de desenvolver comportamentos associados a ansiedade por separação do que aqueles que vivem em lares com mais do que um morador. Dos fatores de risco mais frequentes, relacionados com mudanças no quotidiano destacam-se:   Um tutor que trabalha longas horas ou que sofre uma mudança no horário de trabalho; Viagens frequentes de trabalho ou lazer, onde se enquadram os períodos de férias; Um aumento no tempo que o proprietário passa com a família ou amigos; Novos elementos na família, animais ou bebés; Partida de um membro da família (por exemplo, divórcio ou morte); Morte ou remoção abrupta de outro animal de estimação.   Além disso, no caso dos gatos há, ainda, fatores mais propensos: gatos de abrigos, adotados após os 3 meses de idade, gatos que seguem os seus donos ao redor da casa, gatos castrados e gatos pertencentes a um único indivíduo, têm maior probabilidade de desenvolver ansiedade por separação. Como é sabido, animais de estimação mais velhos, podem ser menos toleráveis à mudança e ao stress em geral. As alterações cognitivas numa fase geriátrica, podem reduzir a capacidade dos animais idosos para lidar com a separação dos seus tutores e com as alterações no seu ambiente familiar. Hoje em dia, temos uma esperança média de vida maior dos nossos animais, por isso este fator é indicativo do aumento da incidência deste problema nos próximos tempos.   Os problemas de saúde também podem reduzir a adaptabilidade emocional e a capacidade cognitiva do animal de estimação. Desta forma, as condições médicas subjacentes devem ser consideradas em animais de estimação mais velhos com distúrbios comportamentais. Doenças metabólicas e outras doenças associadas ao envelhecimento (por exemplo, surdez, cegueira e osteoartrite) também devem ser considerados fatores de risco. Em relação aos sinais comportamentais/emocionais verificados na ausência dos donos ou no período de adaptação a uma nova rotina, os mais frequentes são: apatia, perda de apetite ou alteração nos padrões de alimentação, vocalização excessiva, agitação, alterações no ciclo sono-vigília, comportamentos destrutivos (por exemplo, plantas, objetos pessoais do tutor) e micção/defecação em locais inadequados. É muito importante relembrar que os gatos podem apresentar estes comportamentos, mas, na maioria dos casos, de forma mais subtil, não devendo, ainda assim, ser desvalorizados.   Existem algumas estratégias a adotar antes da partida e no regresso, que podem ajudar a reduzir a probabilidade de ocorrência destes comportamentos ou diminuir a sua intensidade. Os eventos que ocorrem imediatamente antes da saída ou à chegada do tutor, devem ser tão calmos quanto possível. Por exemplo, os rituais de saudação são comuns. No entanto, a exuberância das saudações, por parte do tutor, pode criar inquietação no animal. Pode ser recomendada ao tutor e a todos os que vivem na mesma casa, uma mudança na forma como interagem com o animal sempre que entram e saem de casa, devendo ser evitadas as interações muito demoradas e emotivas. Esta recomendação educativa deve, preferencialmente, ser transmitida aos tutores na fase de educação e socialização de um cachorro e gatinho, pois este tipo de medida deve ser adotado ao longo do ano, de forma a evitar com mais eficácia as frustrações que podem ocorrer no animal, aquando da ausência do tutor. Nos cães, uma longa caminhada antes da partida e a apresentação de um brinquedo novo e interativo (por exemplo, dispensadores de biscoitos), vão ajudar a promover uma associação positiva com a ausência do tutor. Nos gatos, também brinquedos didáticos, que implicam resolver situações simples ou desenvolver novas competências para obter uma recompensa, são uma boa opção, pois permitem mantê-los entretidos, estimulando o seu instinto predatório natural, o que contribui, também, para diminuir o sedentarismo.   Deveremos sempre reforçar a ideia de que o regresso à normalidade é feito de forma gradual, devendo o tutor estar preparado para lidar com alguns destes comportamentos, mesmo quando já se encontra novamente em casa, depois do período de férias. Como vai ser necessário um período de adaptação para o animal que veio de um sítio diferente ou para o que ficou sozinho, é previsível que estes comportamentos se possam prolongar durante alguns dias e até semanas após o regresso à rotina.   Bibliografia: Risk factors and behaviors associated with separation anxiety in dogs - G Flannigan , N H Dodman Separation anxiety syndrome in dogs and cats - Stefanie Schwartz Identification of separation-related problems in domestic cats: A questionnaire survey Daiana de Souza Machado, Paula Mazza Barbosa Oliveira, Juliana Clemente Machado, Maria Camila Ceballos, Aline Cristina Sant'Anna